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BRASIL, Mulher, de 20 a 25 anos, Cinema e vídeo, Música, solteira feliz, otaku e blogólatra


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Agora, sim... Estou no novo lar

Neste fim de semana, eu comecei a publicar no novo provedor do Sentimentos Verdadeiros. É o fim deste endereço... O novo é http://sentimentosverdadeiros.blogspot.com. Como em breve este blog vai ser apagado, eu coloquei os textos publicados aqui em http://br.geocities.com/clubedossentimentos/. Até separei os textos da fase "Clube dos Solteiros" dos da fase "Sentimentos Verdadeiros", que, no blog, se chama "Antigos Sentimentos". Por alguns problemas com internet em casa, eu ainda não coloquei o link para o novo blog no site, mas logo resolverei isto.

Espero que gostem do novo blog e do site, e que continuem visitando e comentando.



- Postado por: Chihô às 18h40
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Quase despedida...

Em breve, mudarei de provedor, só falta acertar alguns detalhes. Além disto, estou criando um site para servir de arquivo do blog. Quando tudo estiver pronto, eu venho aqui para passar os endereços. Até logo!!!

- Postado por: Chihô às 12h23
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White Day

Naquela manhã, ela foi acordada pelo toque do telefone. Levantou-se preguiçosamente e foi atender. Era ele, marcando um encontro. Olhou para o calendário, ali, próximo a ela: era 14 de março, o Dia Branco. O mês que seguiu sua declaração no Dia de São Valentin, tanta coisa havia ocorrido que mal se lembrava que receberia sua resposta naquele dia. Melhor assim. Marcaram de se encontrar em uma praça, logo após a aula.

Logo após desligar o telefone, pegou-o novamente e fez um telefonema. Em seguida, foi banhar-se e tomar seu café da manhã. A cada gole de café, pensava no que diria àquele para quem declarou-se. Desde o Dia de São Valentin, eles não se falavam. Ambos andaram muito ocupados, cada qual com seus afazeres e suas obrigações. No entanto, ela lembrava-se daquele dia com todos os seus detalhes, palavras, sons e aromas, suas sensações e as reações dele, o embrulho bonito do chocolate passando de suas mãos para as dele, e a surpresa da resposta suspensa.

Terminou seu café, apanhou o material e saiu. Não pode concentrar-se na aula, pensando no que viria depois. E como naquele dia aquelas quatro horas custaram a passar... Queria que tudo acabasse logo, queria resolver tudo, queria fugir da aula. Não adiantaria, ele não estaria no lugar marcado antes do fim da aula.

Finalmente, após a manhã mais longa de sua vida, ela saiu em direção à praça. Ao chegar, logo o viu. Aproximou-se e tocou seu ombro. Ele, que estava de costas, virou-se e sorriu. Em suas mãos, um belo pacotinho, que ele de pronto entregou a ela. Ela estava um tanto tensa e, assim que ele começou a falar, ela o interrompeu: "Espere! Neste mês que eu esperei pela sua resposta, muita coisa aconteceu. Sem que eu pudesse esperar, eu descobri o amor por alguém que sempre esteve comigo, e que, no entanto, eu nunca havia visto com os olhos do amor romântico. Estamos namorando há duas semanas e eu nunca estive mais feliz. Sinto muito. Espero que você encontre alguém que dê a você todo amor que você merece." Enquanto dizia suas últimas palavras, um rapaz aproximou-se dela e segurou sua mão. Ela sorriu para o rapaz, soltou a mão por um instante e foi até ele, dando um beijou suave em seu rosto. Saiu, em seguida, de mãos dadas com o namorado, deixando o outro parado, sem reação, apenas com sua sensação de ter perdido uma grande oportunidade de viver um romance ao tentar fazer suspense. Queria fazer uma surpresa e acabou sendo surpreendido...

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- Postado por: Chihô às 12h52
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Era uma vez...

Houve um tempo de um amor puro, quando cada sorriso era espontâneo e todos os dias eram de luz. Era um tempo de pequenas gentilezas e grandes emoções, de novidades todos os dias, de descobertas a cada momento, de boas surpresas. Quando o coração era leve e batia acelerados, quando o suor nas mãos era um bom sinal e o minuto seguinte era sempre aguardado. Por mais que se tivesse, sempre queria mais, porque era tudo maravilhoso, como se todo o universo cantasse uma linda canção o tempo todo.

Mas um dia, o amor puro foi maculado e os dias claros se encheram de nuvens pesadas. O suor nas mãos e o coração acelerado já não eram mais bons sinais, eram medo. A dor expulsou todo o bom sentimento e tomou seu lugar. Não havia mais brilho, a não ser das lágrimas que corriam com grande intensidade e frequência. Queria acabar com tudo, que o tempo parasse, porque o momento seguinte podia ser ainda pior. Queria tapar os olhos e os ouvidos, fechar-se num casulo e não sair mais. Ou sair, tempos depois, na forma uma linda borboleta, para ser livre novamente.



- Postado por: Chihô às 22h52
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Valentine's Day

A cozinha mais parecia um campo de guerra. Panelas e colheres sujas se espalhavam pela pia e mesa, respingos de chocolate por toda parte. Ela não tinha muitas habilidades culinárias, mas estava se "arriscando" nesta área por uma boa causa: no dia seguinte, seria Dia de São Valentin, a ocasião ideal para declarar-se àquele que fazia seu coração acelerar. Como mandava a tradição, o presentearia com um chocolate feito por ela. Talvez não ficasse tão bonito, nem tão saboroso, mas estava colocando no doce seus mais sinceros sentimentos. Esperava que ele percebesse isto a cada porção daquele chocolate.

Terminou de fazer o doce e, mais tarde, o embrulhou. Viu que não estava tão mau. Torceu para que ele gostasse.

14 de fevereiro, o tão esperado dia. Ela estava tão ansiosa que mal conseguia respirar. O coração batia com tal força, que era possível ver a blusa dando pulinhos. Era chegada a hora. Tomou o presente em suas mãos e foi ao encontro dele. Ele sorriu quando a viu, e ela sentiu-se tremendamente feliz com isto. Timidamente, ela entregou o chocolate recheado com seu amor puro. Em seguida, declarou a ele seus sentimentos e esperou uma resposta. "Sinto muito", disse ele, "mas só darei minha resposta no Dia Branco". Diante do desapontamento da garota, ele continuou: "Lamento, é a tradição..."

 

·.¸¸.·´´¯`··._.· CONTINUA NO DIA 14 DE MARÇO·.¸¸.·´´¯`··._.·

* No Japão, existe a tradição de, no dia 14 de fevereiro, Dia de São Valentin (Valentine's Day), as garotas presentearem os garotos (namorado e/ou amigos) com chocolate. Os garotos retribuem a gentileza no dia 14 de março, que é o Dia Branco (White Day), assim chamado pois o presente mais tradicional para esta data é marshmallow. No entanto, hoje em dia, os presentes podem variar. Feliz dia de São Valentin para todos!!!



- Postado por: Chihô às 11h15
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De repente, amor

Ah, como foi deixar que isto acontecesse? Desde que enxugou a última lágrima por aquele amor perdido, jurou para si mesma que manteria seu coração sob rédeas curtas. Havia sofrido muito da última vez e não queria que isto se repetisse. Mas ele surgiu em sua vida, despretencioso e ela acabou perdendo o controle de novo. Não gostava de perder o controle. Por algum tempo, conseguiu manter a razão no comando, porém foi só  ele chegar para que ela voltasse a ser a boba emotiva que jurou que nunca mais seria. Agora, ela pensava nele e em tudo o que havia ocorrido desde aquele dia de verão em que se conheceram. Ele sempre tão gentil e com aparência inocente fez com que ela abaixasse sua defesa e seu coração acabou sendo tomado de súbito. Quando menos esperava, ele já ocupava todos os seus pensamentos. "Droga", pensou ela, "não podia ter deixado que isto acontecesse". Fossem só alegrias, tudo bem. Mas amá-lo também trazia sofrimentos e era isto que ela não queria. Talvez fosse covarde tentando afastar de si o amor, só para que não voltasse a chorar. Ela não importava em ser covarde, apenas queria que sua vida fosse de sorrisos.

Agora, estava decidida: deixaria de amá-lo. Pronto. Evitaria seus olhares e seus sorrisos, e não se encantaria mais com aquela franja displicentemente jogada sobre seu olho esquerdo. "Que patético, sentir-me encantada com isto..." Riu de si mesma ao pensar nisto. Não deixaria mais que ele a hipnotizasse com sua conversa, nem com seus gestos gentis. Não seria grosseira com ele, mas não deixaria que seu coração pensasse por ela.

Perdida em seus planos, não viu que ele estava vindo em sua direção. Ele parou diante dela, com a franja cobrindo o olho esquerdo, seu sorriso e seu olhar encantadores, e disse-lhe oi, trazendo-a de volta à realidade. Olhando para ele, ela não pode deixar de sentir-se como se estivesse se derretendo. E todos seus planos desmancharam-se na profundeza daquele olhar...



- Postado por: Chihô às 15h51
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Depois da queda...

Levantou-se do chão, passando a mão nos joelhos para limpá-los. Queda ridícula a sua, mas felizmente não havia ninguém por perto para ver a cena. Por outro lado, não havia ninguém para ajudá-la a levantar-se. Botou na cabeça que não precisava da mão ou da misericórdia de ninguém. Era forte, decidida e não ficaria no chão para sempre. Jamais deixaria quem a derrubou saber que ela havia caído e que chorara com isto. Se alguém o derruba é porque não se importa com você, não é verdade? Por que, então, deveria esta pessoa saber da queda? Não deixaria, tampouco, que quem a derrubou tornasse a fazer isto. Não se deve deixar ser derrubado duas vezes pela mesma pessoa. Se ainda sentia dores pela queda, ela ignorava. Talvez, ela estivesse apenas fingindo que estava bem. Também podia ser que o ferimento não tivesse sido tão profundo. De qualquer forma, isto era o que menos importava. À sua frente, havia um longo caminho, e ela devia percorrê-lo. Agora que estava em pé, ajeitou os cabelos e deu o primeiro passo, sem olhar para trás. Com o coração esvaziado, sem as dores da queda e com a cabeça cheia de idéias, sentia-se renovada. Só queria agora caminhar, sem as amarras do passado nem as pressões do futuro, apenas curtindo cada passo. Não se sabe quando é o último...

- Postado por: Chihô às 00h54
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When I think about you I don't see how you can

De repente, seu mundo virara de cabeça para baixo. Ela acreditava em uma ilusão e agora a realidade apresentava-se bem à sua frente, para não deixar dúvidas. A ilusão era, para ela, por demais real e custava-lhe a acreditar no que seus olhos viam naquele momento. Por tempos, acreditou em "evidências", mas via agora que estava enganada e sentia que seu mundo, ou tudo o que acreditava nele, havia ruído.

No choque entre a ilusão construída com tanto carinho e a realidade triste que estava bem ali, ela sentiu-se em conflito. Queria fechar os olhos, repetindo para si mesma que aquilo que estava vendo não existia, na vã esperança de que tudo voltasse a ser como era. Mas também queria ficar ali, observando para constatar, sem sombra de dúvida, o que estava acontecendo. Decidiu que nenhuma das opções era a melhor, então resolveu afastar-se e dar um tempo para si mesma, assim poderia "digerir" melhor o turbilhão que tomara sua vida de súbito.

Não era a primeira vez que via suas ilusões destruídas, nem por isto doía menos. Sabia que um dia, cedo ou tarde, sentiria seu coração leve novamente, ergueria a cabeça e estaria pronta para continuar. Mas não seria agora...



- Postado por: Chihô às 01h44
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Em 2006...

Eu vou ter que ser corajosa, paciente, serena, ter a cabeça no lugar, ser forte, permanecer mentalmente sã, diminuir a ansiedade, não ser um poço de sensibilidade (mas também não preciso ter coração de pedra), respirar fundo, contar até mil, manter o controle de mim, deixar de ser idiota, parar de ser tão mãezona, parar de dar tanto valor para quem não liga se eu estou viva ou morta, ser profissional, ser uma aluna melhor, ser menos esquisita, ser menos neurótica.

Ou seja, no geral, preciso ser mais calma, menos mexicana.

Eu sei que nenhum ano é feito de 365 dias felizes, mas eu quero ter força para lidar com o que acontece de ruim. Se depende do meu ponto de vista os dias serem bons ou ruins, eu quero ver o lado bom das coisas, para olhar para o que acontece, entender que é aprendizado, e sorrir. Tá, eu me dou o direito de não ser patologicamente otimista, e eu posso explodir, também. Mas não quero exagerar o que tem de ruim para chorar mais do que a situação pede. E nada de ficar sofrendo por antecipação.

QUE 2006 SEJA UM ÓTIMO ANO!!! E ISTO DEPENDE, EM GRANDE PARTE, DE NÓS MESMOS!!!



- Postado por: Chihô às 12h29
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Retrato de um Natal em família

O Natal despertava nela sentimentos ambíguos. Gostava da decoração, do sabor do panetone, do clima que envolvia a data, das atitudes de caridade. Por outro lado, achava tudo hipócrita e capitalista. Cantarolava alegremente canções natalinas. Porém, tinha ganas de destruir o CD que insistiam em tocar todos os anos nesta época.

A festa de Natal em família também trazia sentimentos contraditórios. Ao mesmo tempo em que adorava ver toda a família unida, mantendo a tradição iniciada muito antes dela nascer, não suportava ouvir sempre as mesmas cobranças, todos os anos.

Naquela noite de Natal, ela estava ali, mais uma vez, com toda sua família. Dera meia-noite e todos estavam reunidos. Ela, num canto, era simplesmente uma espectadora, não participava do momento. Apenas observava, pensativa. As crianças estavam abrindo seus presentes, entusiasmadas, enquanto os adultos as observavam com ternura e satisfação. Ela se lembrou dos Natais de sua infância dos papéis rasgados no chão e do cheiro de plástico . Lembrou-se da alegria do brinquedo novo e do sorriso dos seus pais e parentes.

Subitamente, lembrou-se dos que não estavam mais ali, mas acreditava que, de certa maneira, estivessem. Não era a mesma coisa... Uma saudade violenta a fez sentir vontade de chorar e ela acabou alienando-se da festa. Desejou que tudo voltasse a ser como era na sua infância, desejou ter por perto aqueles que partiram. Sentiu os olhos úmidos mas, antes que a primeira lágrima rolasse por seu rosto, foi tirada de seu isolamento. "Ei, isto é para você. Feliz Natal!" Pegou o pacote embrulhado em papel colorido e sorriu. Mais uma vez, olhou a cena do seu Natal em família. Gerações iriam e novas gerações viriam. O amor permaneceria ali para sempre.



- Postado por: Chihô às 23h40
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O espírito natalino?

Os pisca-piscas deixavam a cidade mais bonita naquele dia. Por todos os lados, toda a sorte de enfeites natalinos davam um ar mágico, quebrando o cinzendo habitual daquelas ruas. Toda beleza do cenário parecia não prender a atenção dos pedestres, que passavam de um lado para outro, apressadamente, com sacolas nas mãos. Agiam como autômatos.

Em um canto da calçada, quase oculto pela paisagem urbana, um homem estava sentado no chão. Era um senhor de barba longa e branca, e bigode. Vestia roupas puídas, sujas e um gorrinho vermelho sob um boné com propaganda política. Tinha nas mãos um grande saco, onde mexia, tirando objetoso rotos, provavelmente ganhos ou encontrados no lixo.

Da janela do ônibus, eu o observava. O homem lembrava Papai Noel, porém, um Papai Noel miserável, sujo, um excluído. Diferente dos Papais Noéis de barba falsa e sorriso largo que distribuiam doces nas portas das lojas, este homem não despertava simpatia, seque atraía olhares dos passantes. Todos estavam ocupados demais com as compras de fim de ano.

Viessem a caridade e o amor ao próximo em embalagens bonitas, estariam em destaque na vitrine enfeitada de algum shopping. Mas são apenas sentimentos e nenhuma pessoa podia parar de comprar para atentar-se a estes pequenos detalhes...



- Postado por: Chihô às 00h47
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Tão confuso...

Minha percepção do que está ao meu redor é bem estranha. Às vezes, eu consigo ver detalhes minúsculos, em outras, eu simplesmente sou incapaz de enxergar o que está bem à minha frente.  Bom, na verdade, eu vejo o que quero ver, e o que eu não quero, eu apago, fecho meus olhos para o que me desagrada. Mas o que eu vejo porque quero ver nem sempre é real.

Lembro-me de, uma vez, num ônibus, eu ter recebido de uma desconhecida um bilhete com a frase: "O que vemos depende, principalmente, do que queremos ver". Eu acredito que seja isto mesmo, não só comigo, mas com todos. Como diretores das nossas vidas, editamos nossas impressões para termos a sensação de que tudo acontece exatamente como queremos. É um alívio num mundo em que pouca coisa está sob nosso controle. Assim, inconscientemente, escolhemos ver e acreditar só no que está de acordo com o que queremos.

Sabe-se lá porque, acabamos, muitas vezes, entrando em contato com a realidade. No dia em que eu recebi a frase no ônibus, era isto que tinha acontecido. Minhas ilusões sobre algo haviam sido desfeitas e eu estava decepcionada, triste. Sem dizer uma palavra, aquela mulher entregou o papel e sorriu. Foi preciso ler a frase mais de uma vez para perceber que aquilo dizia respeito a mim e àquele momento. Ser jogada na vida real nem sempre é fácil. E a frase continua verdadeira como nunca.

No filme da minha vida, escolho mocinhos e bandidos, escolho galãs e vilões. Quando alguém ousa não seguir o roteiro que tracei, eu fico confusa, porque o filme já estava no meio e na minha sala de projeção particular, os papéis já estavam escolhidos e sendo interpretados. O filme, muitas vezes, não se parece nada com a vida real, mas me dá um alento. A vida real, na maioria das vezes, me prega peças. E assim, entre um susto e outro, uma surpresa e outra, algumas decepções ocasionais, eu vou vivendo...



- Postado por: Chihô às 00h39
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Se...

Se eu não tivesse escolhido este curso

Ou prestado vestibular

E, terminado o Magistério

Começasse a lecionar.

Se depois do colegial

Tivesse ido trabalhar

Se não tivesse saído da minha cidade

E me mudado para cá.

 

Então não teria vivido

Tudo o que até agora vivi

E não conheceria as pessoas

Que nestes anos conheci

Não aprenderia coisas

Que com eles aprendi

E não teria sorrido

Pelos motivos que sorri.

 

Não me arrependo porque já experienciei

Mais do que podia imaginar

E conheço tantas pessoas

Que para sempre vou amar.

Que tenho coisas boas na vida

Isto não posso negar

Mas no momento eu só queria

Por um tempinho descansar...

- Postado por: Chihô às 13h27
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Being different is a sin

Não era como os outros, como os da sua idade. Era diferente. Fechada, tímida, guardava um universo no coração, mas era de poucas palavras. Enquanto todos riam, falavam de festas, de amores passageiros, ela ficava no seu mundinho torcendo para que tudo acabasse logo. Raramente era compreendida porque se revelava para poucos privilegiados. Geralmente era zombada porque não era como os outros. Cada palavra de zombaria a magoava e fazia com que se fechasse ainda mais em sua concha. Sentia uma imensa vontade de fugir de situações como essa, mas, na impossibilidade de sair delas, apenas se calava enquanto seu coração doía. Evitava até se mover, na esperança insana de que seria confundida com uma peça da mobília e, assim, deixada em paz. Às vezes, queria ser apenas igual a todos, com suas alegrias fúteis e sua despreocupação. Às vezes, apenas queria sentir-se menos desconfortável com as pessoas. Tinha alguns bons amigos e com eles era diferente, porque eles eram como ela, sendo assim, não recriminavam seu jeito de ser e ela podia sentir-se como pertencente a um grupo. Com os outros, sentia-se um triângulo na terra dos círculos. Os outros não faziam nada para que reduzir esta sensação ruim. Pelo contrário, continuavam apontando-a, zombando dela e cobrando que ela fosse como eles. Sempre que possível, ela se esquivava deles, quando não podia, apenas torcia para que tudo acabasse. Só de pensar que iria se encontrar com outros, ficava angustiada. Com seus amigos, ela sentia-se feliz. Com os outros, apenas desejava ser invisível.

- Postado por: Chihô às 01h44
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Não posso fugir de mim...

Levantou-se da cama, calçou os chinelos, abriu uma porta, depois outra e o portão, e saiu correndo pela rua. Não pensou para onde ia, apenas correu. Ainda não havia amanhecido e as únicas testemunhas do seu ato desvairado eram os cães que insistiam em latir para ela. Ela simplesmente corria sem olhar para os lados.

Há dias, quase não dormia. Quando conseguia repousar, acordava sobressaltada. As responsabilidades e dúvidas ocupavam sua mente e não a deixavam descansar. Embora não houvesse nada que pudesse fazer para resolver seus problemas no momento, não dormia. O corpo dolorido reclamava a falta de descanso. Resolveu, então fugir. E levantou-se da cama, calçou os chinelos, abriu uma porta, depois outra e o portão, e saiu correndo pela rua. Achou que assim ficaria livre das responsabilidades e das dúvidas que a atormentavam.

Tentava não pensar em nada enquanto corria, mas sentia o desespero crescente como algo entalado na garganta. Corria como se fosse a solução dos seus problemas. Não conseguia. Tudo o que a perturbava e não deixava dormir estava em sua cabeça. Por mais que tentasse, não conseguia se livrar dos maus pensamentos. Lembrou-se então, de uns versos que ouvira em uma aula de Literatura:

"Comigo me desavim

Sou posto em todo perigo

Não posso viver comigo

Nem posso fugir de mim."

Deu-se conta que sua atitude era inútil. Parou, ofegante, inclinou o corpo para a frente e, em seguida, olhou em volta. Já era de manhã e várias pessoas a observavam. Umas sentiam dó, outras riam de sua insensatez. Ela virou-se, ignorando todos os olhares, e voltou para casa.



- Postado por: Chihô às 16h12
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Speechless

Com todos os outros, ela falava com desenvoltura sobre qualquer assunto, fazia piadinhas, tocava a pessoa enquanto falava, sentia-se livre. Mas com ele era diferente. Não sabia o que falar porque achava que tudo o que falava era banal demais para alguém tão inteligente. Temia fazer piadinhas porque achava que suas piadinhas não tinham a menor graça para alguém como ele. Não o tocava porque não se sentia digna de tocar alguém tão precioso. Tentava conter-se com medo de parecer idiota perto dele. Embora seus gestos tentassem demonstrar um respeito especial como o que se tem por uma jóia muito rara, acabava parecendo que não se importava com ele. Como mantê-lo por perto, como desejava, agindo assim? No fundo, ela queria parecer espontânea, carinhosa. Mas o sentimento grande demais bloqueava suas ações e seu cérebro. E, por mais que se esforçasse, só conseguia mesmo parecer uma tola diante de quem tanto amava...

- Postado por: Chihô às 12h49
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Eu tive um sonho...

Esta noite, sonhei com alguém muito querido, que partiu há 11 anos... Eu estava no corredor da minha casa, quando vi meu avô, é, a pessoa muito querida a quem me referi. Corri para abraçá-lo e ele riu do meu jeito desesperado. Era como se, para ele, não tivessem se passado 11 anos. Era como se ele estivesse pensando: "Por que ela está assim se eu sempre estive por aqui?" Acordei chorando e pensando se ele ainda não entendeu o que aconteceu. Depois, achei que, talvez, ele sempre esteja por perto.  Eu sempre vejo meu avô nos meus sonhos quando não estou bem, e estes últimos dias têm sido confusos e cansativos. Talvez ele esteja mesmo sempre por perto me protegendo...

- Postado por: Chihô às 01h53
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Através...

Aquele objeto não estava ali quando ela saíra. Agora, entrando em seu quarto, o viu. Tomou em suas mãos a esfera transparente e tentou imaginar quem a havia posto ali e por quê. Era um pouco menor do que uma bola de handball. Examinou a peça, curiosa, porém cuidadosamente. Era um objeto oco, frágil. Seria vidro ou cristal? Não importava. Não apresentava imperfeições. Era belo em sua simplicidade. Explorou mais um pouco a esfera, sentindo seu peso e temperatura. Passou, então, a observar sua mão através da esfera. Em seguida, aproximou-a do rosto e observou todo seu quarto através do objeto. Sorriu divertida por estar fazendo algo tão bobo.
Afastou a peça do rosto e mais uma vez olhou-a. Foi quando viu algo dentro dela. Pensou tratar-se de algo que estivesse no seu quarto. Não era. Levantou o objeto, trazendo-o para mais perto de seu rosto, a fim de enxergar o que havia dentro da bola transparente. Muito assustada, constatou que era sua imagem. Não era reflexo. Podia ver-se em um momento feliz ocorrido num passado próximo, há alguns meses, talvez um ano ou pouco mais. As imagens de alegria iam se alternando, mas todas datavam da mesma época que a primeira. Ao ver seu sorriso nas cenas, ela sorriu. Lembrava-se de cada uma delas, mas agora elas pareciam distantes, irreais. Nos últimos tempos, ela passava por dificuldades. Estava preocupada, triste. E ao pensar que já não era a pessoa divertida e tranquila de antes, sentiu uma dor aguda no peito, uma dor grande demais para caber nela, e a dor transbordou em forma de lágrimas. Pela última vez, olhou para a esfera, e esta caiu de suas mãos. Estava tudo despedaçado.

- Postado por: Chihô às 15h34
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Escuta aqui

- Ei, espere um pouco, eu preciso falar algumas coisas para você e também preciso que você esclareça algumas outras. Você sabe que eu amo você, não sabe? Eu já não deixei isto suficientemente claro? Não? Então, faço agora: é verdade, eu amo você. E eu amo tanto que até me falta o ar, que eu fico feliz só de saber que você está por perto, que seu sorriso ilumina meu dia, que eu nunca me canso de estar ao seu lado. Mas, às vezes, você parece não ligar nem um pouco para isto e é tão frio que eu não consigo entender. Por que faz isto com quem gosta tanto de você? Se tudo o que eu faço é para ver você sorrir... Por que tratar mal quem gosta tanto de você? É só para me fazer chorar? É orgulho? Ou é um sentimento que você não quer assumir nem para você mesmo? Você podia, pelo menos, dizer o que estava errado e tentaríamos consertar juntos. O seu silêncio só me faz sofrer. Sabia que eu choro quando você faz isto? Talvez você devesse se importar mais com quem gosta de você do que com quem só finge isto. Espero que aprenda a distinguir sentimentos verdadeiros de meros passatempos, para que nós dois sejamos mais felizes...

- Postado por: Chihô às 10h01
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Presente

Inaugurando meu lindo template exclusivo, que eu ganhei da minha amiga Kami Sal, a garota do Mundo Bizarro. Obrigada, Kami Sal!!! A personagem do template, para quem não conhece, é a Naru, de Love Hina. Já falei dela antes, quando coloquei o primeiro template neste blog. Ela é a personagem de anime com quem mais me identifico. Ela se faz de durona, mas no fundo, não passa de uma garota sensível com medo de expressar os sentimentos e acabar se magoando.

Em breve, eu volto para postar mais alguma coisa. Ando meio sem inspiração. Os trabalhos da faculdade estão acabando com a minha criatividade...



- Postado por: Chihô às 13h38
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